segunda-feira, 4 de julho de 2011

Aeroporto de João Pessoa terá nova torre de controle e Infraero anuncia novos projetos

O superintendente da Infraero no Aeroporto Presidente Castro Pinto, Alexandre Oliveira, concedeu entrebvista exclusiva ao jornalista Luiz Carlos Sousa, do Jornal Correio da Paraíba, oportunidade em que revelou alguns projetos que estão sendo estudados para serem implementados no equipamento paraibano. Um desses projetos seria a instalação de uma nova torre de controle, que faria parte do processo de melhoria do atendimento que a Infraero estaria projetando para o advento da Copa do Mundo de futebol, em 2014. Oliveira falou ainda da polêmica da atuação dos taxistas no local, onde há uma disputa entre os profissionais de Bayeux e Santa Rita, e disse que o valor praticado pela empresa no estacionamento é um dos mais baratos do País.

Abaixo segue a entrevista na íntegra:

- Há estudos para o aumento do número de voos no aeroporto Castro Pinto?

- É dinâmica natural do aeroporto. A gente está sempre recebendo solicitações de voos ou de cancelamentos. É a rotina. Mas atualmente estamos com pedidos para quatro novos voos. Três já operando, sendo dois da TAM no horário da tarde e um da Azul. O quarto voo começa em primeiro de agosto, pela Avianca. Todos à tarde.

- Para um futuro mais distante, alguma previsão?

- A TAM está sinalizando com mais um voo na madrugada, que vai chegar por volta de uma da manhã e vai decolar às 8h. Estamos aguardando a TAM finalizar a proposta para analisar.

- Em relação à capacidade do aeroporto ainda há espaço para mais voos regulares?

- O aeroporto de João Pessoa tem 15 horas de zero avião. Se for usar o critério de quantidade de horas do dia, menos da capacidade está sendo utilizada.

- Por que se tem a ideia de que o aeroporto está saturado?

-Por causa da concentração de voos na madrugada. Mas quem chegar aqui das 6h até as 14h só vai encontrar mosca voando aqui.

- O que explica essa concentração?

- É dinâmica do mercado de aviação. Os destinos mais fortes economicamente, turisticamente acabam atraindo mais voos e essa quantidade maior acaba preenchendo os horários do dia. A Paraíba, não se pode desconhecer, é menor do que o mercado de Pernambuco que está bem pertinho e acaba sendo um concorrente bom que temos.

- Apesar de todo o crescimento de movimentação?

- Temos bons números, mas ainda estamos muito longe de Pernambuco. Nós fechamos o ano passado com 900 mil passageiros e Recife fechou com mais de seis milhões. A Paraíba cresce mais em termos percentuais, Pernambuco tem um volume muito maior que o nosso. Seis vezes mais.

- Esse anúncio de que Pernambuco vai construir um novo aeroporto internacional em Goiana pode prejudicar o Castro Pinto?

- Não seria a pessoa mais indicada para falar sobre esse tema, mas o que te posso falar é que esse tema não está sendo cogitado pela Infraero. Em curto e médio prazos não. Até porque o aeroporto do Recife está sendo ampliado.

- Há previsão de novos investimentos no aeroporto Castro Pinto?

- Temos investimentos programados para João Pessoa. Só para 2011, a programação prevê mais de R$ 3 milhões em investimentos. Temos projetos de uma nova torre de controle – já licitada -, de quadruplicação do nosso estacionamento, que já está pequeno para nossa demanda. O projeto vai estar pronto para licitação no dia 20 de julho.

- Aliás, o estacionamento gerou polêmica com o reajuste no valor das tarifas..

- O estacionamento do aeroporto daqui, antes do reajuste, custava R$ 5 para o usuário estacionar o carro o dia inteiro. Há algum estacionamento de algum empreendimento que custe isso? A gente passou de R$ 5 para R$ 15. De fato, praticamos um aumento de 200%, mais ainda é muito barato. O que se cobra para estacionar é R$ 1 por hora. É muito barato. Não é um preço exorbitante.

- Quem usa o estacionamento para deixar ou pegar um passageiro não vai pagar esse aumento?

- Não. Agora quem viaja e deixa o carro por dois dias e antes pagava R$ 10, hoje vai pagar R$ 30, o que ainda é barato.

- O que motivou o aumento?

- Não foi a necessidade de se ganhar mais dinheiro. Absolutamente. Como o movimento do aeroporto está crescendo muito e tem um movimento concentrado na madrugada, as pessoas preferiam vir de carro, deixá-lo estacionado e pagar apenas R$ 5 ao dia, ao invés de pagar, por exemplo, R$ 50 de uma corrida de táxi.

- Outra questão polemizada no aeroporto é a que diz respeito aos táxis. O que está criando problemas entre os profissionais?

- A gente estava com uma demanda de falta de táxis em alguns horários, o que motivou um pedido nosso às duas prefeituras para que a gente aumentasse a oferta. Ocorre que existe um convênio entre os dois municípios – Santa Rita e Bayeux, junto a Infraero, que estabelece uma proporcionalidade de táxis para os municípios ofertarem ao aeroporto.

- Qual é essa proporcionalidade?

- 50% para cada prefeitura. Hoje estamos com 50 táxis da cooperativa, afora os que não são credenciados, mas, infelizmente, atuam no aeroporto. Não pode, mas acabam burlando. Não temos poder de polícia para coibir.

- Isso não gera conflitos?

- Isso motivou essa confusão. Com o aumento que solicitamos às duas prefeituras, uma classe de taxista não ficou satisfeita – eles estavam atuando e agora vieram que mais táxis vão atender o que aumentar a concorrência e, teoricamente eles vão ganhar menos. Insatisfeitos, eles se rebelaram e chegaram a bloquear o aceso ao aeroporto durante uma noite. Politizaram a questão.

- Qual a quantidade de táxis ideal para atender ao aeroporto?

- 100 táxis. A gente quer que sobre e não que falte. A gente precisa garantir ao passageiro que chega que a há táxi disponível. E infelizmente acontecem casos em que o passageiro chega de viagem e não há táxi.

- Em relação às condições para receber aeronaves há alguma mudança prevista?

- Também teremos investimentos em um pátio para ampliar as posições de aeronaves. No pátio três nos estamos fazendo uma obra de reforço do pavimento para que possamos colocar aeronaves de maior porte lá. Isso vai possibilitar pelos menos mais duas posições para aeronaves de grande porte em João Pessoa.

- Há algum projeto para instalação de um ponto de embarque no aeroporto?

- O movimento já comporta. A gente já está planejando. Não temos projeto, mas a Infraero já está pensando nesse assunto. Até porque a gente vai atingir esse ano um milhão de passageiros – um marco. Agora essa instalação de uma ponte de embarque vai passar, muito provavelmente, por um novo terminal de passageiros. Com o terminal que temos hoje não seria viável econômica e tecnicamente a implantação de ponte de embarque.

- Há projetos para um novo terminal?

- Não. Nós estamos pensando. A questão é: como ainda há 15 horas de ociosidade no aeroporto, a nossa estratégia é tentar ocupar esses espaços. Não dá para dizer a gente precisa ampliar o aeroporto. Não seria razoável.

- A questão é que nas horas de pico, o usuário já não dispõe de tanto conforto...

- É, mas aí a gente tem outros mecanismos para regular isso. Naquela hora de pico, a gente segura um pouco a demanda, tipo não autorizando mais voos naquele horário.

- A classificação do aeroporto é internacional, mas não há voos para fora do País. O que falta?

- A adjetivação de internacional veio numa época em que havia uma expectativa de nós recebermos voos charters. Houve alguns. E para que esses voos ocorressem, o aeroporto precisaria ter esse título, para que tivéssemos a participação aqui de órgãos como Receita Federal, Polícia Federal, Ministério da Agricultura e Anvisa.

- Essa estrutura com Receita, Polícia Federal, Anvisa e Ministério da Agricultura ainda funciona?

- Não. Hoje, dessas quatro órgãos, funcionam no aeroporto a Polícia Federal e a Anvisa que atuam em relação aos voos nacionais. O Ministério da Agricultura e a Receita Federal só vêm ao aeroporto quando há voo internacional, porque a ação deles nos voos domésticos é muito pequena, senão nula. Mas o espaço está reservado.

- Que preocupação é essa da Infraero com o entorno do aeroporto?

- O aeroporto é um equipamento urbano que tem que cumprir alguns requisitos de segurança para operar e para garantir segurança à população que mora na região. Então, áreas próximas aos aeroportos não podem ter instalações que, por exemplo, atraiam aves, tipo matadouros, abatedouros e lixões, porque ave e aeronave não combinam quando estão voando.

- Mas há esse tipo de problema hoje?

- Não. Estamos querendo alertar, prevenir. O que está acontecendo são construções, moradias populares no entorno do aeroporto, muito próxima são aeroporto. Essa população fica exposta ao ruído das aeronaves, o que é ruim ara a saúde dele, é poluição ambiental. Está ocorrendo um adensamento populacional com casas sendo erguidas exatamente no muro do aeroporto. Estão muito próximas do aeroporto e produzem lixo, que atrai aves, principalmente urubus, o que a gente não quer. Até para proteger a população.

- Como tema vai ser discutido?

- Vamos fazer um seminário e estamos convidando as prefeituras de Bayeux, Santa Rita e João Pessoa, além de outros órgãos para na próxima sexta-feira discutirmos o problema.

- A Copa do Mundo colocará João Pessoa entre duas sedes de jogos. O aeroporto vai receber algum investimento específico para o evento?

- A gente está planejando a ampliação da capacidade de estacionamento de aeronaves. Recife e Natal poderão ter uma movimentação muito alta e João Pessoa poderá ser um ponto de apoio para esses dois aeroportos.

- Há recursos do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – previstos para o aeroporto?

- Temos. Está dentro do pacote da Copa do Mundo, que é uma nova torre de controle. A atual opera normalmente, mas já é um tanto quanto antiga. Estamos querendo modernizar e o projeto já está em fase de conclusão, em Brasília. Nossa expectativa é que a licitação ocorra ainda esse ano. A ideia é que a nova torre esteja pronta antes da Copa de 2014.

- Qual a expectativa da Infraero para a conclusão desse aceso ao aeroporto?

- É uma anseio nosso antigo. Estamos fazendo gestões junto a prefeitura de Bayeux e ao governo do Estado para que a gente tenha o aceso num nível de um aeroporto que serve à Capital de um Estado. Hoje o acesso não está condizente. Temos a sinalização de que as obras serão ultimadas.

- Qual a vocação do aeroporto Castro Pinto, espremido entre Recife e Natal?

- Eu diria que a gente tem uma vocação, cujo potencial ainda não foi plenamente utilizado, que é turismo. A Paraíba despertou tardiamente para a indústria do turismo. Talvez isso explique o fato de a gente ter um aeroporto ainda pequeno. A Paraíba demorou demais a despertar para o potencial que o turismo representa. Já acordamos graças a Deus, mas o espaço que sente perdeu é muito grande. Temos que continuar investindo em turismo, que traz desenvolvimento econômico, aumento de renda, mais emprego. É um círculo virtuoso que não só o aeroporto ganhará, mas o Estado da Paraíba como um todo. É preciso apostar no turismo. O resto vem junto como conseqüência.

Fonte: Portal Turismo em Foco

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